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Histórico da Igreja

OS PIONEIROS - UM POUCO DA HISTÓRIA DA PRIMEIRA IGREJA PRESBITERIANA DE RORAIMA   
    

“Eu e Zélia chegamos em Boa Vista nos primeiros dias de abril de 1957.  O campo de pouso era no centro da cidade. Alguns irmãos estavam nos esperando: Ayrton Pessoa e esposa D. Antonieta, Francisco Bastos de Paiva e esposa D. Magarida, Francisco Barbosa (“Sindô”) e sua esposa D. Josefina e outros. No culto da noite recebi o campo e, no dia seguinte, pela manhã, já estava nas ruas conhecendo o povo e a cidade. Nossa primeira casa era sem água e sem luz, mas os irmãos não tinham esquecido de nada. Tinham providenciado um pouco de tudo. No primeiro dia, pela manhã, fui ao mercado, enquanto Zélia fazia o café. Quando cheguei havia carvão espalhado pôr toda a cozinha e ela angustiada sem saber fazer o fogo. Coitada! Tinha carvão até no rosto. Como nunca tivesse lidado com carvão, uma senhora da congregação, D. Margarida Paiva, que foi para nós um pouco de tudo: mãe, “vó”, tia amiga, conselheira e ovelha, nos emprestou um fogão a querosene, o que era incomparavelmente melhor! Meses depois alugamos uma nova casa, mesmo sem luz, na qual havia um poço com água muito boa. Foi tudo para nós! Era também a a única naquela região descampada e solitária de Boa Vista. À tarde o sol límpido das 14:00 horas, o silêncio profundo do bairro,  a solidão e a distância dos familiares, eram provas difíceis para nós. No entanto, era o nosso campo, a nossa missão, com a qual deveríamos nos acostumar. Não foi fácil, mas vencemos com a graça de Deus. Durante quatro anos trabalhamos ali com os irmãos. Juntos construímos o templo, que só foi concluído depois da minha saída, porque adoeci e, por ordem do médico, tive que deixar Boa Vista.
    Em Boa Vista ficou um pouquinho de nós mesmos: de nossa saúde, mocidade, amor e amizade àqueles irmãos queridos e bons. Ficou também um marco de nossa passagem por lá para os que vieram depois de nós. Ali aprendemos muitas coisas que nos tem servido de lições para todos estes anos. O rir e o chorar faziam parte do nosso trabalho. Ora na abundância, ora na pobreza, foi o jogo de quatro anos. Aprendemos a sair das dificuldades enfrentando corajosamente todos os revezes da vida. Só temos que agradecer a Deus por nos ter levado para o extremo norte do país, para trabalhar-mos com um povo  que não era o nosso povo, mas que veio a ser povo nosso. As compensações foram maiores e mais importantes, pois lá está a igreja Presbiteriana de Boa Vista, fruto do pouco  que fizemos naqueles difíceis anos de 1957 a 1960. Apesar de todos os problemas que tivemos de enfrentar, particularmente financeiros, da saudade dos nossos queridos distantes, nós nos amávamos e isto era o suficiente porque “o amor é mais forte que a sepultura”. Este amor tem estado conosco nestes 25 anos de vida conjugal e ministerial, “PORQUE O AMOR JAMAIS SE ACABA.” (Rev. Hélio Nogueira Castelo Branco, 1981, extraído do livreto “Meus 25 anos de ministério.”)
    O relato biográfico acima, do Rev.  Hélio Nogueira Castelo Branco, o fundador da Primeira Igreja Presbiteriana em Roraima, nos mostra um pouco do trabalho árduo destes  pioneiros do Evangelho em nosso Estado. Quando vemos hoje nossa denominação Presbiteriana, não imaginamos as lutas que os irmãos do passado tiveram para fundar e manter  este trabalho. A fidelidade do Pr. Hélio e outros irmãos que vieram depois nos dão a certeza de que esta obra é de Deus segundo o que está escrito em At 5.38-39:“...se este conselho ou esta obra vem de homens, perecerá; mas se é de Deus, não podereis destruí-los...”. Por isso, podemos confiar, lutar pela causa do Evangelho, dar graças a Deus e continuar dizendo: “Até aqui nos ajudou o Senhor” (I Sm 7.12)
    No final de 1960, por motivo de saúde, o Pr. Hélio Nogueira Castelo Branco foi para Manaus. O irmão evangelista Raimundo Freitas, o querido “Pastor” Raimundo assume o trabalho presbiteriano. Algum tempo depois assume um pastor norte-americano, Paulo Coblentz, que juntamente com o evangelista Raimundo Freitas organizam, a então congregação, em igreja (a família do Pr. Alfredo, atual pastor,  se converteu nesta época). Algum tempo depois assume o Pr. Joel Antônio Freitas que, devido à sua inexperiência, cometeu tantos erros aqui que  praticamente fugiu, abandonado a igreja e sem deixar saudades. Assume, então, bravamente, um grupo de 3 presbíteros eleitos ainda no ministério do Pr. Coblentz: “Tio” Silas Coutinho, Eugênio Ferreira de Souza e João Marciano. Estes irmãos lutaram durante muitos anos para pastorear o rebanho presbiteriano local. Até que em janeiro de 1984, um Pastor atendeu o chamado para assumir a igreja, Josué da Rocha Araújo. Pode-se dizer que o Pr. Josué impulsionou o trabalho presbiteriano do Estado com um novo ritmo, abrindo congregações na capital e no interior, além de nos ensinar muito acerca da nossa doutrina e organização presbiteriana. Em 1990 assume o Pr. Alfredo Ferreira de Souza, como ele mesmo diz: “um jovem recém formado cheio de medo”, nosso pastor até hoje.
    Este é um trecho muito resumido de nossa história Presbiteriana em Roraima. É muito pouco, porém com a vinda do Pr. Hélio Nogueira (o fundador do Presbiterianismo em Roraima) a Roraima em 2003, resgatamos um pouco da história dos pioneiros.
Ao olharmos a nossa história aqui podemos concluir com toda segurança que esta obra realmente pertence a Deus, que levanta um para plantar, outro para regar e outro para colher, porém o crescimento vem dEle. Em Hb 13. 7 está escrito: “Lembrai-vos dos vosso guias, os quais vos pregaram a Palavra de Deus; e , considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram”. Três lições saltam deste texto: (1) lembrar dos pioneiros; (2) considerar como viveram em fidelidade ; (3) imitar-lhes a vida de fé. O versículo seguinte nos diz o porquê: “Jesus Cristo ontem e hoje é o mesmo e o será para sempre” , ou seja, a obra ontem e hoje pertence ao único Deus vivo e verdadeiro, somos apenas seus servos e instrumentos para o cumprimento dos seus santos propósitos, seja em 1957 seja em 2002.
Vamos, então, nos colocar nas mãos de Deus como servos obedientes,  e escrever a nossa parte na história da igreja?


Presb. Aldair Ribeiro dos Santos

 

 

 

 

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